Lapa 40 graus:
Meu carro foi arrombado na Lapa. Um dia normal (?) no Rio de Janeiro
Era o que eu podia definir até então como um dia perfeito. Acordei com o sol na minha janela. Praia! Escrevo no msn: Bom dia, sol! Algumas ligações e pouco tempo depois, amigos queridíssimos comigo... Todo mundo com secura de sol, afinal, nunca vi um novembro tão chuvoso... Papo em dia. Carinho. Abraços. Beijos. Conversa fiada. E encontros. Os esperados e os surpreendentes.
Depois almoço. Bem tarde, porque o clima é de verão. Descubro que não preciso mais ir trabalhar, resolvo tudo por telefone (Deus salve o celular!) e posso ficar um pouco mais. - Amiga, tem teatro para todos! Achar ingresso não é mais tão fácil, mas conseguimos... (Dependendo do ângulo é até bom, ingresso esgotado é sinal de que as pessoas estão indo ao teatro. Bravo!). Passa em casa. Jeans, camiseta e casaco. Afinal tem ar. E eu não tô naquela comunidade do orkut: Deixa o ar ligado, porra! Troco a mensagem no msn: Boa noite, lua! Afinal, que lua é essa.
A peça é uma comédia. Gente jovem. Gente boa. Todas loucas pela fama. Tudo indo bem. E ainda tem o aniversário da Flavinha na Lapa! Lugar novo: Lapa 40 graus. "Vambora"!
Na hora de estacionar briga de flanelinhas... Paro onde me indicaram. E mesmo estando em dia com todos os meus impostos, o que me daria o direito de parar em qualquer lugar onde não exisitisse um placa proibido estacionar, dou forçosamente minha contribuição. Aliás, eu não, minha amiga Debby (tb!), pq eu não tinha $. Só cartão.
O lugar é maneiríssimo. Fomos absolutamente bem recebidos. Tratamento Vip. Tinha fila, mas eu nem vi. Ótima companhia. Energia boa. Depois dos parabéns da Flavinha (que tava chiquérrima!), "partiu" pra ver o Bruninho tocando na Parada da Lapa. Levamos o carro, pra parar mais perto? Não... Dá pra ir andando... Depois os meninos voltam com a gente... Então tá.
Gente! Que repertório é esse?! Alto nível. E que lugar bacana. Vamos lá pro Bruninho ver que a gente chegou. Samba de raiz, funk... Tempero bem carioca. A hora passa e a gente nem se dá conta. Tá na hora de ir. Mas...Tava bom de mais pra ser verdade.
Vidro de trás quebrado... Levaram todo o meu material da pós e meu casaco (aquele pra aguentar o ar do cinema)... Tô arrasada... Só faltava essa: ladrões cultos e estudiosos... Afinal, pra que ele precisava do meu caderno e da minha apostila??? Bem, entro no carro e saio logo, afinal não ia ficar ali esperando eles virem completar o serviço. Mais a frente paro e, sei lá por que, vou avisar a um policial sobre o que tinha acontecido. Conto o incidente ocorrido mais cedo com os flanelinhas e falo sobre a minha percepção de que isso tem a ver com a briga deles. Mas, como era evidente, ainda tive que escutar o lamento do "aspira", até bem atencioso e educado (tenho que ser justa), de que é um fato normal, ou melhor corriqueiro... Que não era nem a primeira, nem a última vez que isso aconteceria. É. Eu podia ter dormido sem essa.
Cadê o Capitão Nascimento?! Se do Luciano Huck levaram um rolex, de mim levaram algo muito valioso: um pedaço da minha inteligência e da paixão que tenho por esse lugar... Só espero que os críticos do Luciano, não me venham também dizer que era o meu material que não devia estar ali. Que "exibir" conhecimento, é ostentar e humilhar a parcela da sociedade que não tem acesso a ele.
Se já insinuaram por aí que é exibicionismo, usar algo valioso, comprado com dinheiro fruto de um trabalho honesto, fazendo parecer que é "errado" trabalhar e ganhar dinheiro, e que é lícito justificar a violência pela falta de oportunidade, que não venham me dizer agora que também é tortuoso o caminho de quem só quer estudar para ir além na vida.
Ninguém merece isso e muito menos eu... Só espero que meu caderno e minha apostila sejam de boa serventia. (Se bem que neste caso, eles vão acabar querendo aplicar Inteligência Competitiva ao crime - se já não o fazem... E aí, ai de nós!)
Me despeço ainda decepcionada, mas aliviada, por que uma coisa eles não puderam tirar de mim: o prazer da companhia dos meus amigos.